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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Notas sobre o "Brasil em Prosa"

Um post com cara de blog, após cinco anos de atividade por aqui, só para registrar a alegria de ter vencido o concurso Brasil em Prosa, organizado pelo jornal O Globo e a Amazon.  

Ao longo do concurso, cerca de 6500 contos foram inscritos na plataforma de autopublicação KDP. Na primeira etapa, a equipe da Amazon selecionou 20 textos finalistas. Na segunda, os jurados do caderno Prosa, com o auxílio da escritora Carola Saavedra, escolheram os três vencedores.

Venceram o meu “Sombras”, em primeiro lugar, seguido por “O coelho branco”, de Irka Barrios (Bibiana Barrios) e “A arte de morrer ou Marta Díptero Braquícero”, do Bruno Ribeiro.

Tivemos nossa premiação na Bienal do Livro do Rio de Janeiro no dia 6 de setembro, com entrega de troféus e debate sobre nossos contos. Conhecer o Bruno e a Bibiana foi uma das melhores coisas da viagem. Na véspera da premiação, conversamos bastante sobre literatura, sobre os nossos projetos e espero que continuemos a manter o contato, o diálogo, a amizade.

Durante o debate na Bienal, o Bruno fez uma constatação interessante: o Brasil em Prosa premiou três contos que buscam, de alguma forma, a ambiguidade. Concordo. São contos que procuram narrar também através do não-dito, de recursos que aumentem o poder de significação do texto, como as metáforas e as elipses narrativas. 

Impossível não se impressionar com as moscas-humanas de Bruno. Alternando o foco entre um inseto e a aproximação entre os personagens em cena, ele compõe um jogo de duplicidade habilmente construído. O resultado é um contraponto super original ao lugar comum do amor à primeira vista. No conto de Bruno, o amor – ou seja lá o que passa a existir entre os personagens – é uma atração que surge de forma estranha, quase que por inércia, entre dois seres humanos decadentes e entediados.

O que dizer de “O coelho branco”, de Irka/Bibiana? Um conto que faz jus à teoria do iceberg de Hemingway, mas no âmbito do fantástico. Deixa uma ponta visível e dá ao leitor a missão de encontrar por sua conta a/s toca/s de coelho. Uma das leituras possíveis: uma corrida insólita de uma jovem rumo à infância, o coelho de pelúcia simbolizando a chave desse país das maravilhas submerso, só acessível na memória. Um texto breve, conciso, muito bonito.

O concurso também me aproximou de outros escritores finalistas do Brasil em Prosa, muita gente talentosa e envolvida até o pescoço com a literatura.

Cabe registrar também: o Brasil em Prosa fez grande barulho. Atraiu muitos leitores, me rendeu vendas na Amazon para duas caixas de cerveja – e isso não é pouco tendo em vista o  preço de 1,99 com 35% de royalties (risos) – e recebeu ampla divulgação em O Globo, sendo destaque por três semanas em um dos maiores cadernos de literatura do Brasil, o Prosa e Verso, agora infelizmente quase extinto.

Que tudo isso nos ajude a abrir as portas desse mercado editorial, sempre tão restrito quando se trata da nova literatura brasileira. Ganhar aplausos, muitas curtidas no Facebook e dar autógrafos na bienal faz parte do jogo e do espetáculo, mas isso nada tem a ver com o objetivo de concorrer a um prêmio literário. O que busco em concursos literários – o que boa parte dos autores busca em concursos literários, imagino – vai muito além do troféu na estante. O objetivo é chamar a atenção de leitores e editoras para a nossa literatura –  porque a vida de um escritor se divide entre a caverna e a luz do sol. E a luz do sol é sempre a parte mais complicada.


Matéria sobre o resultado do Brasil em Prosa.

Matéria sobre a premiação na Bienal do Rio.

Leia o conto "Sombras" gratuitamente aqui.
Leia o conto "O coelho branco" aqui.
Leia "A arte de morrer ou Marta Díptero Braquícero" neste link.
















Um comentário:

Irka Barrios disse...

Experiência incrível, surpreendente!Assim como foi surpreendente conhecer você e o Bruno. Fiquei satisfeita demais com o resultado.